segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ausência

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um vazio que dói



...

Cecilia Meireles

somos o que somos...
sem profissão, idade, nome, corpo;
o que sobra de todos estes pormenores; o que viaja sob todas essa limitações;
o que por acaso se realiza fora de tais formalidades;
o que porventura resistirá quando encerrarmos nossas atribuições no mundo humano...
somos o nosso silêncio interior, o nosso silêncio sempre enriquecido e tão cheio de claridade secreta...
somos a nossa grandiosa solidão, aquela em que nos reconhecemos desde a infancia,
o espelho da nossa permanência, a constante vigilância de nossa vida.

Clarice Lispector

Gosto dos venenos mais lentos!
Das bebidas mais fortes!
Das drogas mais poderosas!
Dos cafés mais amargos!
Tenho um apetite voraz.
E os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí? Eu adoro voar!

Loucos e santos

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem,mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que 'normalidade' é uma ilusão imbecil e estéril.
(Oscar Wilde)

sábado, 22 de novembro de 2008

Sem companhia

"Tudo o que esperei
De um grande amor
Era só juramento
Que o primeiro vento
Carregou
Outra vez tentei
Mas pouco durou
Era um golpe de sorte
Que um vento mais forte
Derrubou
E assim de quando em quando
Eu fui amando mais
Passei por ventos brandos
Passei por temporais
Agora estou num cais
Onde há uma eterna calmaria
E eu não aguento mais
Viver em paz sem companhia "

Ivor Lancellotti e Paulo Cesar Pinheiro

Isto é para um amigo meu, que sabe o porquê de ser para ele...

Impressões

Temos uma necessidade tão grande do amor...
Não só de amar, mas de ser amado...gosto quando acordo e já vem um nome na cabeça, quando penso que outra pessoa está pensando em mim, querendo me ver...
Isso é tão necessário, tão vital...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Reação minimalista

Eu queria saber qual a impressão que não foi verdadeira...ou melhor, queria saber porque não se dá um basta no passado e toma a vida de arroubo novamente?
Porque temos medo de mudar, de assumir a mudança? O que é tão difícil de se enxergar no espelho? Não se pode ter medo de si mesmo...
Os valores teem que ser parte indissociável de mim e não do outro...
O desejo pode estar ocultado no medo de encarar o novo, mas há de se enterrar o fantasma que ronda e olhar para frente...
Toda experiência vivida, é só uma experiência vivida. Ela não produz mais o oxigenio que o presente nos obriga a inalar... Difícil, né?! Mas amigos podem fazer a diferença...amantes podem fazer a diferença...

Irreversível

Uma voz, interior ou não, pode fazer a diferença de toda uma vida!
Aliás, eu acho que a mesma voz se faz das duas formas: hora está na nossa cabeça, em forma de desejo, de necessidade, que é quase real nos nossos ouvidos; outra hora ela é verdadeiramente real, tem quem ecoe...
E a proximidade da voz, sua impressão, acelera os momentos de alegria que você já viveu, fazendo que eles percorram novamente a tua corrente sanguínea...
Uma voz, um sussurro...conecte-se...de forma irreversível...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Primeiro dia do resto da minha vida...

"Tedy..." - minha irmã perguntou - "...acabou?"
"Acabou, Sú..."
Nossa mãe deu duas lágrimas para nós, uma para cada um, e parou de respirar...
Deus estava conosco...senão nós não teríamos suportado...